Coletivo fortalece protagonismo feminino na indústria do frio

4 Mar 2020

A técnica em refrigeração Carmosinda Santos e a coordenadora técnica da área de fluidos refrigerantes da Chemours no Brasil, Joana Canozzi , que será uma das homenageadas na segunda edição do encontro “Agora é que são elas – Mulheres no AVAC-R” | Foto: Nando Costa/Pauta Fotográfica

 

Mercado historicamente masculino – e muitas vezes gerador de episódios machistas e até de assédio –, a indústria de refrigeração e ar condicionado tem, nos últimos anos, contado com mais mulheres trabalhando no segmento.

 

Do chão de fábrica a cargos de chefia, essas profissionais já comprovaram, especialmente no Brasil, que são tão ou mais cuidadosas e eficientes do que os homens, colaborando decisivamente para elevar a qualidade do setor.

 

Criado em julho de 2018, o coletivo “Agora é que são elas – Mulheres no AVAC-R” tem atuado justamente para dar mais força às técnicas, engenheiras e outras profissionais, desmistificando preconceitos ainda existentes.

 

“Após a grande repercussão obtida nas mídias sociais, recebi várias mensagens de mulheres que diziam não se mostrar por vergonha, por não se sentir à vontade em um mercado tão masculino, e que, me vendo trabalhar, se sentiram confiantes em aparecer”, lembra Carmosinda Santos, técnica em refrigeração e ar condicionado formada pelo Senai-SP.

 

Idealizadora do prêmio “Elas no AVAC-R”, cuja primeira edição foi realizada em dezembro de 2018, a profissional salienta que o objetivo do movimento é reunir as mulheres que atuam no mercado, premiando-as como forma de reconhecimento pelo trabalho dedicado ao setor e, ao mesmo tempo, incentivar outras a fazerem parte do mercado.

 

Parte das comemorações dos 50 anos do Sindicato da Indústria de Refrigeração, Aquecimento e Tratamento do Ar no Estado de São Paulo (Sindratar-SP), o segundo encontro nacional do coletivo será realizado na terça-feira (10), a partir das 18h30, no salão nobre da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.

 

O evento conta também com o apoio da Associação Americana de Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração e Ar Condicionado (Ashrae), da Federação Nacional de Engenharia Mecânica e Industrial (Fenemi), do Comitê de Nacional de Climatização e Refrigeração (CNCR) e da ONU Mulheres.

 

Podem participar profissionais do setor – homens e mulheres – que desejam atuar de forma qualificada, prestando serviços de qualidade para a sociedade, cadastrando-se no site www.elasnoavacr.com.br

 

 

 

Além da promoção de palestras sobre a relevância da participação feminina no segmento, o coletivo homenageará Juliana Pellegrini Trigo (Ashrae), Amanda Falamone dos Santos (IMI), Joana Canozzi (Chemours), Graça Galvão (Atrimac), Maria Aparecida Miranda de Araújo (Tarsio), Maria Perpétua Souza (Eletrogel) e Patrice Tosi (Indústrias Tosi).

 

 

Aproveitando a ocasião, o Sindratar-SP e a Ashrae lançarão uma pesquisa de mercado que visa mensurar as características do HVAC-R brasileiro, inclusive sua divisão por gênero.

 

Mulheres homenageadas pelo Sindratar-SP na primeira edição do encontro “Agora é que são elas – Mulheres no AVAC-R” | Foto: Silvia Lavagnolii

 

 

Resultados

 

O movimento liderado por Carmosinda Santos tem obtido resultados positivos para todas as profissionais da área, como treinamentos e palestras em fabricantes, a exemplo do primeiro treinamento técnico para mulheres realizado em parceria com a LG do Brasil, evento que já chamou a atenção de outros players e revendas, que se mostraram dispostos a repetir a ação.

 

“O mercado percebeu que existe uma gama de mulheres dispostas a trabalhar e a se especializar, com o desejo de assumir cargos de liderança, mas que não tiveram oportunidades antes por ser uma área tida como masculina. Contudo, hoje já é visível que não é bem assim”, afirma Carmosinda, reforçando que “desde cargos de gestão a esposas de instaladores que trabalham em campo auxiliando seus maridos, todas se mostram orgulhosas das suas atividades”.

 

Segundo a profissional, o coletivo também tem como missão ajudar a coibir a intimidação e os casos de assédio contra as mulheres, situações que ainda ocorrem no setor.

 

“Infelizmente, isso ainda é comum. Entretanto, cada vez está se desmistificando a imagem de um setor masculino, dando espaço e credibilidade para as mulheres, o que inibe muito a ação de pessoas que praticam assédio”, explica.

 

Carmosinda aproveita para dar uma valiosa dica para as profissionais: “Nunca, de forma alguma, se deixe intimidar, sempre esteja com a cabeça erguida, olhe de frente e encare quem quer que seja. Mostre, com seu trabalho, a sua capacidade.”

 

Fonte: Blog do Frio

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