Sindratar-SP e Ashrae Brasil homenageiam diretora geral da Revista do Frio

10 Dec 2018

 

Mulheres pioneiras e de grande sucesso no setor foram lembradas em evento inédito, marcado por emotividade e reflexão sobre a força feminina

 

As quase três décadas dedicadas por Mary Moreira ao mundo do HVAC-R foram reconhecidas publicamente na última quarta-feira (5/12), durante cerimônia realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.

 

Por iniciativa do Sindicato das Indústrias de Refrigeração, Aquecimento e Tratamento de Ar no Estado de São Paulo (Sindratar-SP) e do capítulo brasileiro da Associação Americana de Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração e Ar Condicionado (Ashrae Brasil), ela esteve entre as 30 mulheres homenageadas pelo “Agora que são elas”, um prêmio inédito na América Latina promovido para enaltecer a importante atuação feminina no setor.

 

“É mais um motivo de orgulho ter o reconhecimento deste ramo, ao qual dedicamos – eu e Oswaldo Moreira – tantos anos de nossas vidas”, disse a empresária, frisando o quanto é gratificante ter se dedicado tanto à evolução deste setor. “Afinal, a refrigeração corre nas nossas veias e a Revista do Frio veio para testemunhar o crescimento de todos que a este mercado se dedicam”, acrescentou.

 

Dentre as agraciadas, estiveram uma parceira histórica da Mary Editora, Cida Contrera (Contrera Comunicação), e Carmosinda Santos (Equinix), refrigerista que se notabilizou nas redes sociais como divulgadora da capacidade feminina ao trabalhar em estruturas complexas, mais especificamente na área de chillers de precisão para data centers.

 

Revelações

 

Como seria de se esperar, o encontro foi marcado por muita reflexão, oportunidade propiciada pelos painéis “A presença feminina no setor de climatização e refrigeração” e “Qualificação profissional no mercado de trabalho”, mediados, respectivamente, pelo repórter de tecnologia e negócios da Revista do Frio, Paulo Fernando Costa, e pelo diretor da Camfil na América Latina, Paul Cleveland.

 

Pouco antes, na abertura do encontro, o presidente do Sindratar-SP, Carlos Trombini, fez uma revelação. “A ideia desse evento foi concebida no dia da entrega do último Troféu Oswaldo Moreira, numa conversa entre a Viviane Nunes, do nosso sindicato, e a Carmosinda Santos”, disse.

 

Muitas outras revelações seriam feitas ao longo das mais de três horas de comemoração, a partir de números revelados pela mestre cerimônias, como o crescimento da presença feminina no mercado de trabalho nos últimos 50 anos, representando atualmente 24% dos cargos de liderança.

 

Tudo isso calcado na qualificação profissional, apesar da famosa dupla – “e até tripla” – jornada de trabalho feminina, o que hoje torna o “sexo frágil” do passado num exemplo bem acabado de perfil multitarefa, capaz de revezar com rara habilidade sua dedicação entre as vidas profissional e particular.

 

Bons exemplos

 

Além dos testemunhos prestados pelas participantes dos painéis (Carmosinda Santos, Leylla Lisboa, Graciele Davince, Maíra Macedo, Simone Balsamo e Patrícia Correa) para explicar como superaram o preconceito e barreiras de toda ordem até se tornarem mulheres de sucesso, chamaram a atenção da plateia lotada os cases apresentados por algumas das empresas e entidades que apoiaram e patrocinaram esse evento pioneiro no continente latino-americano.

 

Foi o caso da Trane, que possui um programa de valorização da mulher, cujo objetivo é chegar, em médio prazo, a uma proporção de 50% a 50% entre homens e mulheres ocupando os postos de trabalho na empresa.

 

O mesmo também está acontecendo na Chemours, companhia que, segundo sua coordenadora técnica da área de fluorquímicos, Joana Canozzi, já tem 70% do seu contingente no Brasil representado pelo sexo feminino. Globalmente, a intenção da multinacional é ter metade de sua equipe formada por mulheres até 2030.

 

Instituições que também prestigiaram a iniciativa falaram o que estão pondo em prática neste campo. Com 56 mil membros espelhados por 187 países, a Ashrae orgulha-se por ter hoje uma presidente mundial, Sheila J. Hayter.

 

“Ela está vindo ao Brasil para ver o que acontece de diferente por aqui, pois 60% dos nossos grupos de estudantes são presididos por mulheres”, disse Bruno Martinez, atual presidente do capítulo brasileiro da entidade.

 

“Tenho certeza que o nosso papel de capacitação para as futuras mulheres do ar condicionado está sendo fundamental e deve criar nova líderes, ensinando-lhes o caminho do HVAC, um mercado onde não vejo a hora de termos 60% de profissionais mulheres e uma presidente em nosso país”, acrescentou.

 

Afirmação semelhante foi feita por Marco Aurélio Candia Braga, presidente da Federação Nacional dos Engenheiros Mecânicos Industriais (Fenemi),que compareceu para representar Joel Kruger, do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea).

 

“Vai passar no plenário do Confea, na próxima reunião, que 23 de junho será oficialmente o Dia Internacional das Mulheres na Engenharia. Parabéns a todas!”, afirmou, bastante aplaudido.

 

Seguindo a mesma linha, a diretora titular do Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp e do Ciesp, Gracia Fragalá, representando o presidente da Federação, Paulo Skaf, enumerou os pontos principais dentre os mencionados na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) envolvendo a questão feminina.

 

O primeiro deles é reconhecer e valorizar o trabalho de assistência e doméstico, não remunerado, bem como a promoção da responsabilidade compartilhada dentro do lar e da família.

 

Em seguida, frisou a importância de se garantir a participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para liderança em todos os níveis da tomada de decisão nas vidas política, econômica e pública.

 

Por fim, adotar e fortalecer políticas sólidas e legislação aplicável para a promoção da igualdade de gênero e empoderamento de todas as mulheres e meninas, em todos os níveis.

 

“Esse é o compromisso que 193 Estados-membros da ONU assumiram, o que nos deixa um longo caminho a percorrer”, lembrou Gracia, acentuando que igualar salários seria uma medida louvável não apenas pelo aspecto igualitário, já que injetaria em nossa economia nada menos do que R$ 382 bilhões.

 

Fonte: Revista do Frio

 

 

 

 

 

 

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